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O
Deus de Elianai
DEUS
DE TÃO PERFEITO conheceu a plenitude do tédio.
De tão cercado pelo idêntico a si mesmo,
incapaz de dizer por que hoje não é apenas
um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro
dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável,
inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?[..] Deus,
que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o
imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre os
incertos. Aperfeiçoou a imperfeição.
Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso,
despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível,
excepcionalmente frágil, tão vivo e tão
morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que
é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.
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